Papa Francisco à CEI: não sejais tímidos na denúncia aos corruptos

 

Denunciai vigorosamente a corrupção, não sejais abstractos nos vossos documentos pastorais, reforçai o papel dos leigos para que sejam responsáveis, sem necessidade de um “bispo-piloto” – algumas das indicações que o Papa Francisco deu aos bispos italianos, reunidos na Sala Nova do Sínodo, no Vaticano, para a sua 68ª Assembleia Geral, centrada na Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”.

Na tarde de segunda-feira 18 de maio o Papa deixou a sua residência na Casa Santa Marta e se dirigiu a pé até à Sala Paulo VI, onde foi acolhido pelo Presidente da Conferência e o Secretário, o Cardeal Angelo Bagnasco e Dom Nunzio Galantino. Depois de uma troca de abraços, os três se encaminharam ao local dos trabalhos, no interior do edifício.

O Pontífice fez um discurso aos bispos da sua Diocese e de toda a Itália ressaltando que neste momento histórico desconfortante, com situações de aflição e atribulação, no país e no mundo, a vocação episcopal é ‘navegar contra a corrente’, ou seja, ser testemunhas alegres de Jesus Cristo e transmitir esta alegria e esperança aos outros. “É-nos pedido para consolar, ajudar, encorajar sem distinção todos os nossos irmãos oprimidos pelo peso das suas ‘cruzes’, erguendo-os com a força que provém de Deus”.

Neste sentido, visto o tema da Assembleia, o Papa disse ao grupo que gostaria de ouvir as suas ideias, as suas perguntas, e compartilhar com os presentes as suas reflexões. Mas iniciou afirmando que “é muito feio encontrar um consagrado abatido, desmotivado ou ‘apagado’… é como um poço seco aonde as pessoas não acham água para matar a sede”.

“As minhas preocupações – disse o Papa – nascem de uma visão global dos episcopados, adquirida por ter encontrado em dois anos de Pontificado várias Conferências e observado a importância da ‘sensibilidade eclesial’ de cada uma; ou seja, a humildade, a compaixão, a misericórdia, o concretismo e sabedoria, à imagem dos sentimentos de Deus.

A sensibilidade eclesial comporta não ser tímidos em condenar e derrotar a difusa mentalidade de corrupção pública e privada que empobreceu, sem alguma vergonha, famílias, aposentados, trabalhadores honestos e comunidades cristãs, descartando os jovens e marginalizando os mais carentes e frágeis. “A sensibilidade eclesial nos leva junto ao povo de Deus para defendê-lo das colonizações ideológicas que lhes roubam identidade e dignidade”.

A sensibilidade eclesial – prosseguiu o Papa – se manifesta também nas decisões pastorais e na elaboração de Documentos, nos quais não devem prevalecer aspectos teóricos, doutrinais e abstractos, como se nossas orientações se dirigissem a estudiosos e especialistas, e não ao povo de Deus. “Temos que traduzi-los em propostas concretas e compreensíveis”, afirmou.

Prosseguindo, o Papa reiterou que a sensibilidade eclesial se concretiza também reforçando o indispensável papel dos leigos em assumir as responsabilidades que lhes competem. “Os leigos que possuem formação cristã autêntica não precisam de um ‘Bispo-piloto’, ou de um ‘monsenhor-piloto’ ou de um estímulo clerical para assumir as suas tarefas em todos os níveis: político, social, económico e legislativo! Eles precisam é de um Bispo-Pastor!” – completou.

Enfim, a sensibilidade eclesial se revela concretamente na colegialidade e na comunhão entre os Bispos e os seus sacerdotes; na comunhão entre os próprios Bispos; entre as Dioceses ricas – material e vocacionalmente – e as que têm dificuldades; entre as periferias e o centro; entre as Conferências Episcopais e os Bispos com o sucessor de Pedro.

Em seguida, o Pontífice aprofundou o tema da colegialidade na determinação dos planos pastorais e na divisão dos compromissos programáticos, económicos e financeiros. Por exemplo, citou que às vezes, a recepção dos programas e a actuação de certos projectos não são verificadas. “São homologadas decisões, opiniões e pessoas; narcotizadas Comunidades… em vez de se deixar transportar aos horizontes aonde o Espírito nos pode conduzir”.

Outra questão levantada pelo Papa: “Por que se deixam envelhecer tanto os Institutos religiosos, Mosteiros, Congregações, ao ponto que deixam de ser testemunhos fiéis ao seu carisma inicial? Por que não se incorporam, antes que seja tarde demais?”.

A este ponto, o Papa terminou o seu discurso, explicando que quis apenas oferecer alguns exemplos de escassez de sensibilidade eclesial, e clamando para que “durante o Jubileu da Misericórdia, o Senhor nos conceda a alegria de redescobrir e tornar fecunda a misericórdia de Deus, com a qual somos chamados a consolar todos os homens e mulheres do nosso tempo”.

Os bispos italianos prosseguem a sua Assembleia na Sala do Sínodo, no Vaticano, até o dia 21, e no âmbito dos trabalhos, serão eleitos os Presidentes das Comissões Episcopais.

Radio vaticano

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Regina Coeli: testemunho cristão é uma experiência com Jesus

 

Domingo, 19 de abril, Regina Coeli com o Papa Francisco: grande multidão na Praça de S. Pedro que saudou o Santo Padre neste III Domingo da Páscoa.

“Testemunhas” – esta é a palavra sobre a qual desenvolveu o Papa a sua meditação e que aparecem duas vezes nas leituras bíblicas de hoje. A primeira vez nos lábios de Pedro que após a cura do paralítico exclama: “Matastes o autor da vida, mas Deus ressuscitou-o dos mortos: nós somos testemunhas”. A segunda vez em que ouvimos a palavra “testemunhas” nas leituras deste domingo são pronunciadas pelo próprio Jesus Ressuscitado que na noite de Páscoa diz aos discípulos: “Disto vós sois testemunhas”.

Mas, afinal o que é uma testemunha? – perguntou o Santo Padre.

“Testemunha é alguém que viu, que recorda e conta. Ver, recordar e contar são os três verbos que nos descrevem a identidade e a missão. A testemunha é alguém que viu, mas não com olhos indiferentes; viu e deixou-se envolver pelo evento. Por isto recorda, não somente porque sabe reconstrui em modo concreto os factos que aconteceram, mas porque aqueles factos falaram-lhe e ele colheu o seu sentido profundo. Então, a testemunha conta, não em maneira fria e destacada, mas como um que se deixou pôr em questão, e desde aquele dia mudou de vida.”

O conteúdo do testemunho cristão não é uma teoria – disse o Papa – uma ideologia ou um complexo sistema de preceitos e proibições, mas uma mensagem de salvação, aliás uma Pessoa: é Cristo Ressuscitado, vivo e único Salvador de todos. E Jesus pode ser testemunhado por aqueles que fizeram uma experiência pessoal com Ele, através do Batismo, da Eucaristia, da Confirmação ou da Penitência. E o seu testemunho é tanto mais credível quanto mais evangélico for – afirmou o Papa Francisco:

“E o seu testemunho é tanto mais credível quanto mais transparece de um modo de viver evangélico, alegre, corajoso, manso, pacífico, misericordioso. Se, ao invés, o cristão se deixa tomar pelas comodidades, pela vaidade, torna-se surdo e cego ao pedido de ‘ressurreição’ de tantos irmãos, como poderá comunicar Jesus Vivo, a sua potência libertadora e a sua ternura infinita?”

 

Rádio Vaticano

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Papa Francisco presidiu à Via Sacra no Coliseu em Roma

 

A Cruz de Cristo não é uma derrota: a Cruz é amor e misericórdia.

 

Na noite desta Sexta-Feira Santa o Papa Francisco presidiu à Via Sacra no Coliseu de Roma. As meditações preparadas pelo Bispo Emérito de Novara em Itália D. Renato Corti expressaram a Cruz como “ápice luminoso do amor de Deus”. Um Deus que nos chama a sermos “também nós guardiões por amor”.

São muitos milhares aqueles que em cada dia sobem ao Calvário e que foram invocados nos textos da Via Sacra: os que vivem refugiados das perseguições, os imigrantes que morrem na sua procura de uma vida melhor, os que não têm trabalho e vivem na crise económica e na precariedade, as famílias do mundo de hoje, as vítimas do tráfico humano, os jovens feridos na sua intimidade e barbaramente profanados com abusos sexuais, os que sofrem a tortura e a pena de morte.

A Cruz da Via Sacra no Coliseu de Roma foi transportada por pessoas representativas de tantas destas realidades e sofrimentos com especial relevo para os cristãos de África e do Medio Oriente.

No final da 14ª estação o Santo Padre fez a seguinte oração:

“A tua via-sacra é a síntese da tua vida, ícone da tua obediência à vontade do Pai. É a prova da tua missão. O peso da tua cruz liberta-nos de todos os nossos fardos. Na tua obediência à vontade do Pai, nós nos damos conta da nossa rebelião e desobediência. Em ti, vendido, traído e crucificado pela tua gente, nós vemos as nossas quotidianas traições e infidelidades.”

“Na tua inocência, vemos a nossa culpa; no teu rosto desfigurado, vemos a brutalidade dos nossos pecados. Na crueldade da tua paixão, vemos a crueldade do nosso coração e das nossas ações. Ao sentir-te abandonado, vemos todos os abandonados pelos familiares, pela sociedade. No teu corpo sacrificado, vemos os corpos dos nossos irmãos abandonados nas ruas, desfigurados pela nossa negligência e indiferença.”

“Em ti, divino Amor, vemos ainda hoje os nossos irmãos perseguidos, decapitados e crucificados pela sua fé em ti, sob nossos olhos ou com frequência com o nosso silêncio cúmplice. Imprime no nosso coração sentimentos de fé, esperança, caridade, de dor pelos nossos pecados e leva-nos a arrepender pelos nossos pecados que te crucificaram. Leva-nos a transformar a nossa conversão feita de palavras em conversão de vida e de obras. Jesus Crucificado, reaviva em nós a esperança, para que não se perca seguindo as seduções do mundo; guarda em nós a caridade, que não se deixe enganar pela corrupção e a mundanidade.”

“Ensina-nos que a Sexta-Feira Santa é o caminho para a Páscoa da ressurreição. Ensina-nos que Deus jamais esquece cada um dos seus filhos e jamais se cansa de nos perdoar e de abraçar. E ensina-nos a não nos cansarmos de pedir perdão e a acreditar na misericórdia sem limites do Pai.”

 Rádio Vaticano

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Francisco recebe moradores de rua na Capela Sistina

Cidade do Vaticano (RV) – “Bem-vindos! Esta é a casa de todos, é a casa de vocês. As portas estão abertas a todos”, disse o Papa ao receber cerca de 150 moradores de rua por volta das 17h desta quinta-feira (26/03), na Capela Sistina.

Francisco agradeceu ao Elemosineiro Apostólico, Dom Konrad Kraijewki, por ter organizado a visita que o Papa definiu como sendo “um pequeno afago” para os convidados.

“Rezem por mim. Preciso das orações de pessoas como vocês”, pediu Francisco antes de abençoar os presentes e cumprimentar todos, por cerca de 20 minutos. A seguir, o grupo dirigiu-se aos Museus Vaticanos onde jantou.

“O Papa não quis que fossem feitas fotos ou vídeos do encontro”,  informa uma nota da Sala de Imprensa da Santa Sé, portanto não serão disponibilizadas imagens oficiais do encontro.

Rádio Vaticano

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Intensa intervenção do Papa Francisco na conclusão dos trabalhos do Sínodo dos Bispos

Ao fim da tarde deste sábado, 18 de outubro, o Papa Francisco proferiu um discurso por ocasião do encerramento do Sínodo Extraordinário dos Bispos para a Família. Eis o texto integral:

Eminências, Beatitudes, Excelências, irmãos e irmãs,
Com um coração pleno de reconhecimento e de gratidão, gostaria de agradecer, junto a vós, ao Senhor que nos acompanhou e nos guiou nos dias passados, com a luz do Espírito Santo!

Agradeço de coração o Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário Geral do Sínodo, Dom Fabio Fabene, Sub-Secretário, e com eles agradeço o Relator, o Cardeal Peter Erdö que trabalhou tanto, mesmo nos dias de luto familiar, e o Secretário Especial, Dom Bruno Forte, os três Presidentes delegados, os escritores, os consultores, os tradutores e os anônimos, todos aqueles que trabalharam com verdadeira fidelidade nos bastidores e com total dedicação à Igreja, sem parar: muito obrigado de coração!

Agradeço igualmente a todos vocês, Padres Sinodais, Delegados Fraternos, Ouvintes e Assessores para vossa participação ativa e frutuosa. Levarei vocês na oração, pedindo ao Senhor para recompensar-vos com a abundância da graça dos seus dons!

Eu poderia tranquilamente dizer que – com um espírito de colegialidade e de sinodalidade – vivemos realmente uma experiência de “Sínodo”, um percurso solidário, um “caminho juntos”.

E tendo sido “um caminho” – e como em todo caminho -, houve momentos de corrida veloz, quase correndo contra o tempo prá chegar logo à meta; em outros, momentos de cansaço, quase querendo dizer basta; outros momentos de entusiasmo e de ardor. Houve momentos de profunda consolação, ouvindo os testemunhos dos pastores verdadeiros (cf. João 10 e Cann. 375, 386, 387) que levam no coração sabiamente as alegrias e as lágrimas dos seus fieis. Momentos de consolação e graça e de conforto escutando os testemunhos das famílias que participaram do Sínodo e partilharam conosco a beleza e a alegria de sua vida matrimonial. Um caminho onde o mais forte sentiu o dever de ajudar o mais fraco, onde o mais esperto se apressou em servir os outros, mesmo por meio dos debates. E sendo um caminho de homens, com as consolações houve também outros momentos de desolação, de tensão e de tentações, das quais se poderiam mencionar algumas possibilidades:

- Uma: a tentação de enrijecimento hostil, isto é, de querer fechar-se dentro do escrito (a letra) e não deixar-se surpreender por Deus, pelo Deus das surpresas (o espírito); dentro da lei, dentro da certeza daquilo que conhecemos e não daquilo que devemos ainda aprender e atingir. Desde o tempo de Jesus, é a tentação dos zelosos, dos escrupulosos, dos cuidadosos e dos assim chamados – hoje – “tradicionalistas” e também dos “intelectualistas”.

- A tentação do “bonismo” destrutivo, que em nome de uma misericórdia enganadora, enfaixa as feridas sem antes curá-las e medicá-las; que trata os sintomas contra os pecadores, os fracos, os doentes (cf. Jo 8,7), isto é, transformá-los em “fardos insuportáveis” (Lc 10,27).

- A tentação de descer da cruz, para acontentar as pessoas, e não permanecer ali, para realizar a vontade do Pai; de submeter-se ao espírito mundano ao invés de purificá-lo e submeter-se ao Espírito de Deus.

- A tentação de negligenciar o “depositum fidei”, considerando-se não custódios, mas proprietários ou donos ou, por outro lado, a tentação de negligenciar a realidade utilizando uma língua minuciosa e uma linguagem “alisadora” (polida) para dizer tantas coisas e não dizer nada”. Os chamavam “bizantinismos”, acho, estas coisas…

Queridos irmãos e irmãs, as tentações não devem nem nos assustar nem desconcertar e muito menos desencorajar, porque nenhum discípulo é maior do que seu mestre; portanto se Jesus foi tentado – ate mesmo chamado de Belzebu (cf. MT 12, 24) – os seus discípulos não devem esperar um tratamento melhor.

Pessoalmente, ficaria muito preocupado e triste se não houvesse estas tentações e estas discussões animadas; este movimento dos espíritos, como chamava Santo Inácio (EE, 6), se tudo tivesse sido de acordo ou taciturno em uma falsa e ‘quietista’ paz. Ao contrário, vi e escutei – com alegria e reconhecimento – discursos e pronunciamentos plenos de fé, de zelo pastoral e doutrinal, de sabedoria, de franqueza, de coragem: e de parresia. E senti que foi colocado diante dos próprios olhos o bem da Igreja, das famílias e a “suprema Lex”, a “salus animarum” (cf. Can. 1752). E isto sempre – o dissemos aqui, na Sala – sem colocar nunca em discussão as verdades fundamentais do Sacramento do Matrimônio: a indissolubilidade, a unidade, a fidelidade e a ‘procriatividade’, ou seja, a abertura à vida (cf. Cann. 1055, 1056 e Gaudium et Spes 48).

E esta é a Igreja, a vinha do Senhor, a Mãe fértil e a Mestra atenciosa, que não tem medo de arregaçar as mangas para derramar o óleo e o vinho nas feridas dos homens (cf. Lc 10, 25-37); que não olha a humanidade de um castelo de vidro para julgar ou classificar as pessoas. Esta é a Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica e formada por pecadores, necessitados da Sua misericórdia. Esta é a igreja, a verdadeira esposa de Cristo, que procura ser fiel ao seu Esposo e à sua doutrina. É a Igreja que não tem medo de comer e beber com as prostitutas (cf. Lc 15). A Igreja que tem as portas escancaradas para receber os necessitados, os arrependidos e não somente os justos ou aqueles que acreditam ser perfeitos! A Igreja que não se envergonha do irmão caído e não faz de conta de não vê-lo, ao contrário, se sente envolvida e quase obrigada a levantá-lo e a encorajá-lo e retomar o caminho e o acompanha para o encontro definitivo, com o seu Esposo, na Jerusalém celeste.

Esta é a Igreja, a nossa mãe! E quando a Igreja, na variedade dos seus carismas, se expressa em comunhão, não pode errar: é a beleza e a força do sensus fidei, daquele sentido sobrenatural da fé, que é doado pelo Espírito Santo para que, juntos, possamos todos entrar no coração do Evangelho e aprender a seguir Jesus na nossa vida, e isto não deve ser visto como motivo de confusão e de mal-estar.

Tantos comentaristas, ou pessoas que falam, imaginaram ver uma Igreja em atrito, onde uma parte está contra a outra, duvidando até mesmo do Espírito Santo, o verdadeiro promotor e garante da unidade e da harmonia na Igreja. O Espírito Santo que ao longo da história sempre conduziu a barca através dos seus Ministros, mesmo quando o mar era contrário e agitado e os Ministros infiéis e pecadores.

E, como ousei dizer isto a vocês no início do Sínodo, era necessário viver tudo isto com tranqüilidade, com paz interior, mesmo porque o Sínodo se desenvolve cum Petro et sub Petro, e a presença do Papa é garantia para todos.

Falemos um pouco do Papa, agora, na relação com os bispos (risos). Assim, a missão do Papa é a de garantir a unidade da Igreja; é o de recordar aos fiéis o seu dever em seguir fielmente o Evangelho de Cristo; é o de recordar aos pastores que o seu primeiro dever é o de nutrir o rebanho – nutrir o rebanho – que o Senhor confiou a eles e de buscar acolhê-lo – com paternidade e misericórdia e sem falso medo – as ovelhas perdidas. Errei aqui. Disse acolher: ir buscá-las.

A sua missão é a de recordar a todos que a autoridade na Igreja é serviço (Cf. Mc 9, 33-35) como explicou com clareza Papa Bento XVI, com palavras que cito textualmente: “A Igreja é chamada e se esforça em exercer este tipo de autoridade que é serviço, e o exerce não em nome próprio, mas em nome de Jesus Cristo… através ods Pastores da Igreja, de fato, Cristo apascenta o seu rebanho: é Ele que o guia, o protege, o corrige, porque o ama profundamente. Mas o Senhor Jesus, Pastor Supremo das nossas almas, quis que o Colégio Apostólico, hoje os Bispos, em comunhão com o sucessor de Pedro… participassem desta missão de cuidar do Povo de Deus, de serem educadores na fé, orientando, animando e apoiando a comunidade cristã, ou, como diz o Concílio, “cuidando, sobretudo que cada fiel seja guiado no Espírito Santo a viver segundo o Evangelho a própria vocação, a praticar uma caridade sincera e ativa e a exercitar aquela liberdade com que Cristo nos libertou “ (Presbyterorum Ordinis, 6) … é através de nós – continua o Papa Bento – que o Senhor atinge as almas, as instrui, as protege, as guia. Santo Agostinho, no seu Comentário ao Evangelho de São João diz: “Seja, portanto, esforço de amor apascentar o rebanho do Senhor” (123,5); esta é a suprema norma de conduta dos ministros de Deus, um amor incondicional, como aquele do Bom Pastor, pleno de alegria, aberto a todos, atento aos próximos e atencioso aos distantes (cf. Santo Agostinho, Discurso 340; Discurso 46, 15), delicado para com os mais fracos, os pequenos, os simples, os pecadores, para manifestar a infinita misericórdia de Deus com as palavras encorajadoras da esperança”. (Bento XVI, Audiência Geral, Quarta-feira, 26 de maio de 2010). Fim da citação.

Portanto, a Igreja é de Cristo – é a sua esposa – e todos os bispos, em comunhão com o Sucessor de Pedro, têm a missão e o dever de custodiá-la e de servi-la, não como donos, mas como servidores. O Papa, neste contexto, não é o senhor supremo, mas sim um supremo servidor – o “servus servorum Dei”; o garante da obediência e da conformidade da Igreja à vontade de Deus, ao Evangelho de Cristo e à Tradição da Igreja, deixando de lado todo arbítrio pessoal, mesmo sendo – por vontade do próprio Cristo – o “Pastor e Doutor supremo de todos os fiéis” (Can. 749) enquanto gozando “da potestade ordinária que é suprema, é plena, imediata e universal na Igreja” (cf. Cann. 331-334).

Queridos irmãos e irmãs, agora temos ainda um ano para amadurecer, com verdadeiro discernimento espiritual, as idéias propostas e encontrar soluções concretas às tantas dificuldades e inumeráveis desafios que as famílias devem enfrentar; dar respostas aos tantos desencorajamentos que circundam e sufocam as famílias.

Um ano para trabalhar na “Relatio synodi” que é o resumo fiel e claro de tudo aquilo que foi dito e discutido nesta sala e nos círculos menores. E é apresentado às Conferências episcopais como “Lineamenta”.

Que o senhor nos acompanhe e nos guie neste caminho, pela gloria do seu nome, com a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e de São José! E por favor, não esqueçam de rezar por mim! Obrigado.

 

Rádio Vaticano

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Três familiares do Papa morrem em acidente de carro

 

Acidente na Argentina deixa sobrinho de Papa Francisco em estado grave

Atualizado em 20/08/2014 às 09h52


 

 

1_0_820558Três familiares do Papa Francisco morreram esta terça-feira, na Argentina, num acidente automobilístico. Trata-se da esposa e dos dois filhos do sobrinho do Santo Padre, Emanuel Horacio Bergoglio, 35 anos – filho do irmão do Pontífice –, que ficou gravemente ferido no acidente. As vítimas fatais são Valeria Carmona, 39 anos, e os dois filhos, Antonio, 8 meses, e José, de 2 anos.

 

O Papa foi informado e encontra-se profundamente consternado pela trágica notícia e pede a todos aqueles que participam de sua dor que se unam a ele na oração. Todos seus mais estreitos colaboradores, bem como os funcionários da Santa Sé, se unem ao Papa Francisco pelo grave luto que atingiu sua família.

 

 Fonte: Rádio Vaticano

eu sinto muito Bom Pastor e sei o quanto isso dói, o que posso te dizer nesse momento é:

te refugia no colo da Mãe Maria somente no colo da Mãe teremos o consolo.

Te refugia no colo da Mãe

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Papa lembra viagem à Coreia na Audiência Geral

“Cristo não anula culturas; combate divisão entre os povos”, afirmou o Papa Francisco na manhã desta quarta

 

Atualizado em 20/08/2014 às 09h11


                                                  Papa Francisco chegando na Coreia (Foto: AFP)

 

O Papa Francisco compareceu na manhã desta quarta-feira, 20, na Sala Paulo VI, para conceder a Audiência Geral, com fisionomia serena e sorridente. O fuso horário e a fadiga da recente viagem à Coréia parecem não ter deixado sequelas na condição física do Pontífice.

 

Chegando à Sala Nervi a pé da Casa Santa Marta, onde reside, o Pontífice entrou às 10h (no horário de Roma) no adro, lotado por mais de 2 mil peregrinos que não cabiam mais na Sala, já completa com mais de 8 mil pessoas.

 

Depois de saudar todos com o habitual carinho e espontaneidade, o Papa se sentou no centro do palco e começou a sua catequese, focada integralmente na recente viagem à Coréia: “Lá, encontrei uma Igreja jovem, fundada no testemunho dos mártires e animada pelo espírito missionário”, disse.

 

Para Francisco, esta viagem apostólica se condensa em três palavras: memória, esperança e testemunho. No contexto coreano, a Igreja custodia a memória e a esperança:

 

“É uma família espiritual onde os adultos transmitem aos jovens a chama da fé recebida por seus antepassados; e a memória das testemunhas se torna um novo testemunho no presente e esperança do futuro”, explicou. Para Francisco, este foi o enfoque dos principais eventos da viagem: a beatificação dos 124 mártires coreanos e o encontro com os jovens, por ocasião da VI Jornada Asiática da Juventude.

 

Em seguida, foi ressaltado o papel primário desempenhado pelos leigos na Igreja coreana desde os seus primórdios. O Papa contou aos fiéis que a comunidade cristã na Coréia não foi fundada por missionários, mas por um grupo de jovens coreanos do século XVIII que, fascinados por alguns escritos cristãos, os estudaram e os adotaram como regra de vida.

 

“Um deles foi enviado a Pequim para receber o Batismo e na volta, batizou seus companheiros. A partir deste primeiro núcleo, se desenvolveu uma grande comunidade que desde o início e durante cem anos, sofreu violentas perseguições e teve milhares de mártires. Deste modo, a Igreja coreana se baseia na fé, no engajamento missionário e no martírio dos leigos”.

 

O Papa continuou recordando: “Assim como os primeiros cristãos coreanos praticaram o amor fraterno que supera toda diferença social, encorajei os cristãos de hoje a serem generosos com os mais pobres e excluídos”.

 

Concluindo a catequese, Francisco afirmou que a história da fé na Coréia demonstra que Cristo não anula as culturas, não cancela o caminho dos povos que buscam a verdade e praticam o amor a Deus e ao próximo. Cristo não extingue o que é bom, mas o completa.

 

“Cristo combate e derrota o maligno, que semeia o perverso entre os homens e entre os povos, que provoca exclusão em favor da idolatria do dinheiro; que espalha veneno no coração dos jovens. Se, no entanto, ficarmos Nele, em Seu amor, nós também, como os mártires, poderemos viver e testemunhar sua vitória. Com esta certeza, rezemos por todos os filhos e filhas da Península Coreana que sofrem as consequências de guerras e divisões, para que possam realizar um caminho de fraternidade e plena reconciliação”.

 

Pedindo a intercessão de Maria para que acompanhe o nosso caminho, nos ampare nas fadigas, conforte os sofredores e mantenha aberto o horizonte da esperança, o Papa concedeu a sua bênção a todos, rogando paz e prosperidade para os coreanos.

 

Fonte: Rádio Vaticano

 

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Papa celebra missa de encerramento da Jornada Asiática da Juventude

Data e horário: domingo, 17 Agosto 2014 – 09:09  Créditos: Redação com Rádio Vaticano

 

No penúltimo dia da visita do Papa Francisco à Coréia, neste domingo, 17, o ponto alto da sua terceira Viagem Apostólica internacional, neste domingo, foi a solene celebração da missa de conclusão da VI Jornada Asiática da Juventude, da qual participaram mais de 40 mil pessoas.

A celebração Eucarística realizou-se no Santuário do “Mártir desconhecido” no Castelo de Haemi, que, em 1940, se tornou centro militar. Por este motivo, a praça, que se encontra no interior de seus muros, foi lugar de detenção e de suplício de quase três mil cristãos, durante as perseguições anticristãs do século XIX.

Na homilia, que pronunciou em inglês, o Santo Padre partiu da segunda parte do tema central da VI Jornada da Juventude da Ásia “A glória dos mártires resplandece sobre vós”. Estas palavras, disse o Papa, são consolação e impulso para todos.

“Jovens asiáticos, deixem que Cristo transforme seu otimismo natural em esperança cristã; a sua energia em virtude moral; a sua boa vontade em amor genuíno! Eis o caminho que vocês são chamados a trilhar. Assim, a sua juventude será um dom para Jesus e para o mundo. Vocês não são apenas o futuro da Igreja, mas parte necessária e amada do presente da Igreja! Vocês são o presente da Igreja! Logo, permaneçam unidos e se aproximem mais de Deus; empreguem seus esforços para a edificação de uma Igreja mais santa, missionária e humilde, buscando servir os pobres, os excluídos, os enfermos e os marginalizados”.

No final da missa, foi anunciado que a próxima Jornada da Juventude da Ásia se realizará, pela primeira vez, na Indonésia em 2017.

Com os bispos da Ásia

Pela manhã, o Pontífice deixou a Nunciatura Apostólica, em Seul, dirigindo-se, de helicóptero, para Haemi, a 102 km da capital coreana, onde se encontra o Santuário do “Mártir desconhecido”.

Ali, o Santo Padre teve um encontro com os Bispos do Continente Asiático. Após a celebração da Liturgia das Horas, o Cardeal Oswald Gracias, arcebispo de Mumbay, na Índia, e Presidente da Federação das Conferências Episcopais da Ásia, fez uma saudação ao Santo Padre, na qual, entre outros, mencionou os problemas fundamentais da Igreja neste continente.

O purpurado indiano aludiu, ainda, à missionariedade da Igreja universal no contexto asiático. 60% da população mundial vive na Ásia. É um continente em que a maioria da população é jovem. Consequentemente, de várias formas, a Ásia é, realmente, fundamental para o futuro do mundo e o futuro da Igreja.

O Papa iniciou seu pronunciamento dirigindo uma fraterna e cordial saudação a todos, agradecendo ao Senhor, que os reuniu naquele lugar sagrado, onde numerosos cristãos deram a sua vida pela sua fidelidade a Cristo. Em suas palavras introdutórias, Francisco acrescentou uma breve apreciação:

Em seu discurso aos bispos da Ásia o Santo Padre lançou um olhar sobre a missão da Igreja em todo o continente asiático.

“Neste vasto Continente, onde convive uma grande variedade de culturas, a Igreja é chamada a ser versátil e criativa no seu testemunho do Evangelho, através do diálogo e da abertura a todos. Este é o desafio de vocês! Na verdade, o diálogo faz parte essencial da missão da Igreja na Ásia. Devemos empreender o caminho do diálogo, com indivíduos e culturas, partindo da nossa identidade própria de cristãos, com abertura de mente e de coração.”

Neste sentido, o Santo Padre chamou a atenção dos pastores asiáticos para não cair na tentação do espírito do mundo, que se manifesta de três maneiras: o “relativismo”, que obscurece o esplendor da verdade, se infiltra nas comunidades cristãs e enfraquece a nossa identidade; a “superficialidade”, que, numa cultura, exalta o efêmero e oferece numerosos lugares de evasão e fuga, representando um grave problema pastoral; e a “aparente segurança” humana de esconder-se atrás de respostas fáceis, frases prontas, leis e regulamentos.

Ao término do encontro com os Bispos da Ásia, o Papa Francisco cumprimentou cada um dos presentes, com os quais, depois, almoçou no refeitório da Residência do Santuário.

Batismo

Por volta das 7h locais (19h do sábado no Brasil), na Capela da Nunciatura Apostólica de Seul, o Papa Francisco batizou Lee Ho Jin, cujo nome de batismo escolhido foi Francisco. Lee Ho Jin é pai de um dos jovens mortos no naufrágio da balsa Sewol, em abril passado, tragédia que matou 293 pessoas e deixou 10 desaparecidos.

“O Papa interveio pessoalmente no batismo com a infusão da água e na unção com o Sagrado Crisma. O Papa ficou feliz em poder participar assim – de maneira não prevista – ao grande ministério do batismo de adultos da Igreja na Coreia”, finaliza uma nota do diretor da Rádio Vaticano, padre Federico Lombardi.

Leia também:

Programa da viagem do Papa Francisco à Coreia

Papa beatifica 124 mártires coreanos

Segundo dia da viagem do Papa à Coreia

Encontro de Francisco com bispos coreanos

Papa Francisco já está na Coreia

 

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Papa beatifica 124 mártires coreanos

Data e horário: sábado, 16 Agosto 2014 – 15:15      Créditos: Redação com Rádio Vaticano

 

Cerca de 800 mil pessoas lotaram as ruas de Seul, capital da Coreia do Sul, para a missa na qual o Papa Francisco beatificou 124 mártires coreanos, na manhã deste sábado, 16 (noite de quinta-feira no Brasil), no terceiro dia de sua viagem apostólica ao país asiático.

Paul Yun Ji-Chun e seus 123 Companheiros mártires representam a primeira geração de católicos coreanos, eram todos leigos, com exceção de um sacerdote chinês, Pe. James Ju Mun-mo, o primeiro a entrar na Coréia e a rezar a primeira Missa no país, e conhecido pelo seu zelo missionário. Após seis anos da sua chegada, os católicos já eram dez mil.

“Hoje celebramos esta vitória, na pessoa de Paulo Yun Ji-chung e de seus 123 companheiros. Todos viveram e morreram por Cristo e, agora, reinam com Ele na alegria e na glória. Eles confirmam que Deus, com a morte e ressurreição de seu Filho, nos deu a maior de todas as vitórias. A vitória destes mártires e seu testemunho, dado por amor a Deus, continua, ainda hoje, a produzir seus frutos na Coréia e na Igreja, animada por este sacrifício. A celebração do Beato Paulo e de seus companheiros nos oferece a oportunidade de voltar aos primeiros passos da Igreja na Coreia. Por isso, convido todos os católicos coreanos, a lembrar das grandes maravilhas que Deus realizou nesta terra e a manter, como um tesouro, a fé e a caridade, que lhes foram confiadas pelos seus antepassados”, afirmou o Pontífice em sua homilia.

Crianças com deficiência

Na parte da tarde (madrugada no Brasil), o Santo Padre se dirigiu, de helicóptero, para Kkottongnae, a 90 km de Seul, onde visitou o Centro de reabilitação, chamado “Casa da Esperança, que hospeda cerca de 150 pacientes adultos.

Estavam presentes, além do fundador do Centro e do bispo de Cheongju, cerca de 50 crianças com deficiência, acompanhadas de 70 agentes da saúde e assistentes sociais. Elas apresentaram ao Papa uma breve coreografia e ofereceram-lhe alguns objetos artesanais. O Pontífice, por sua vez, se entreteve carinhosamente com as crianças, como faz habitualmente em seus encontros públicos.

Encontro com os religiosos

Em seguida, o Papa Francisco se dirigiu, em papamóvel, ao vizinho Centro de Treinamento, denominado “Escola do Amor”, onde se encontrou com as Comunidades Religiosas da Coréia. Participaram do encontro cerca de 5 mil religiosos e religiosas, que prestam serviço pastoral no país.

No início do encontro, o Santo Padre foi saudado pelos dois Presidentes das Conferências coreanas dos Superiores Maiores, masculinos e femininos, dos Institutos Religiosos e das Sociedades de Vida Apostólica e das Associações dos Superiores Maiores.

Depois, tomando a palavra, o Bispo de Roma pronunciou seu discurso, destacando “a grande variedade de carismas e atividades apostólicas, que enriquece, de forma maravilhosa, a vida da Igreja na Coreia e além de suas fronteiras. E acrescentou:

“A firme certeza de ser amados por Deus está ao centro da vocação de vocês. Trata-se de um sinal tangível da presença do Reino de Deus, uma antecipação das alegrias eternas do céu. Somente se o nosso testemunho for alegre poderemos atrair homens e mulheres para Cristo; esta alegria é um dom que se alimenta por uma vida de oração, de meditação da Palavra de Deus, de celebração dos Sacramentos e da vida comunitária”.

Encontro com os leigos

O último compromisso do Santo Padre neste sábado no Centro de Espiritualidade de Kkttongnae, onde se encontrou com os líderes do Apostolado Laico.

Na saudação ao Pontífice, o presidente do Conselho das Associações de Apostolado dos Leigos Católicos da Coreia do Sul deteve-se sobre o fato de a Igreja coreana – caso único na história – ter sido iniciada por obra de alguns leigos, sem o auxílio de missionários estrangeiros. “Queremos sair para buscar as noventa e nove ovelhas perdidas, rompendo as cadeias de nosso egoísmo”.

Em seu discurso, o Papa evidenciou que a Igreja na Coreia é herdeira da fé de gerações de leigos que perseveraram no amor de Jesus Cristo e na comunhão com a Igreja, apesar da escassez de sacerdotes e da ameaça de graves perseguições.

Hoje, como sempre, evidenciou Francisco, “a Igreja precisa que os leigos prestem um testemunho crível à verdade salvífica do Evangelho, ao seu poder de purificar e transformar o coração humano e à sua fecundidade na edificação da família humana na unidade, justiça e paz”.

O Papa expressou seu reconhecimento, de modo especial, à obra das muitas associações diretamente empenhadas em ir ao encontro dos pobres e necessitados, indo às periferias da sociedade.

“Esta atividade não se limita à assistência caritativa, mas deve estender-se também a um compromisso com o crescimento humano. Não somente a assistência, mas também o desenvolvimento da pessoa”, acrescentou.

Francisco reconheceu a preciosa contribuição oferecida pelas mulheres católicas coreanas para a vida e a missão da Igreja, “como mães de família, catequistas e professoras, e de vários outros modos”.

O Santo Padre concluiu pedindo que se continue promovendo em suas comunidades uma formação mais completa dos fiéis leigos, mediante uma catequese permanente e a direção espiritual.

Contra o aborto

O Papa Francisco, em geral, evita pronunciar-se sobre temas como o aborto, argumentando que a doutrina da Igreja para a santificação da vida é bastante clara e conhecida e, por isso, ele prefere enfatizar outros aspectos do ensinamento da Igreja.

No entanto, o Papa fez, neste sábado, um forte pronunciamento, apesar de silencioso, contra o aborto, ao reter-se em oração diante de um monumento para crianças que jamais viram a luz do mundo. O local faz parte da comunidade dedicada aos cuidados de pessoas com deficiências genéticas que, frequentemente, são utilizadas para justificar os abortos, chamado “Jardim das Crianças abortadas”.

O Papa baixou a cabeça em oração diante das centenas de cruzes brancas do monumento e conversou com um ativista anti-aborto que não tem nem os braços e nem as pernas.

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Segundo dia da viagem do Papa Francisco à Coreia

Data e horário: sexta-feira, 15 Agosto 2014 – 10:10      Créditos: Redação com Rádio Vaticano

O segundo dia da viagem apostólica do Papa Francisco à Coreia do Sul, sexta-feira, 15, foi marcado pela celebração eucarística da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, no Word Cup Stadion de Deajeon, e o encontro com os jovens asiáticos no Santuário de Salmoe.

A missa celebrada pela manhã (noite de quinta-feira no Brasil), reuniu 60 mil pessoas, entre os quais, diversos sobreviventes e familiares das vítimas do naufrágio do ferry boat Se-Wol, ocorrido no último dia 16 de abril, na costa do país, que causou a morte de 293 pessoas e 10 desaparecidos.

Em sua homilia, o Francisco refletiu, em união com toda a Igreja, sobre a Assunção de Nossa Senhora, em corpo e alma, à glória celeste. “Hoje, ao venerarmos Maria, Rainha do Céu, nós nos dirigimos a Ela como ‘Mãe da Igreja’, pedindo-lhe que nos ajude a ser fiéis à liberdade régia, que recebemos no dia do nosso Batismo; que ela guie os nossos esforços de transformar o mundo segundo o plano de Deus; que ela torne a Igreja, neste país, capaz de ser, de forma mais plena, fermento do Reino de Deus na sociedade coreana”.

“Como católicos coreanos, herdeiros de uma nobre tradição, vocês são chamados a valorizar esta herança e transmiti-la às gerações futuras. Isto implica a necessidade de uma renovada conversão à Palavra de Deus e uma intensa solicitude para com os pobres, os necessitados e os fracos, que vivem entre nós”, acrescentou o Pontífice.

Angelus

Logo após a missa, o Santo Padre recitou a oração do Angelus e mais uma vez recordou as vítimas do naufrágio do ferry boat Se-Wol.

Francisco pediu aos fiéis coreanos que rezem, para que o Senhor acolha as vítimas do na sua paz, console as pessoas que choram e continue a sustentar os que, com tanta generosidade, socorreram seus irmãos e irmãs. Que este trágico acontecimento, que uniu todos os coreanos na dor, confirme no compromisso de trabalhar juntos e solidários para o bem comum.

Referindo-se ao Dia Nacional da Libertação do país, o Papa disse:

“Neste dia, em que a Coreia celebra a festa nacional da sua Libertação, peçamos a Nossa Senhora que vele sobre nobre a nação coreana e seus cidadãos; confiemos à sua proteção todos os jovens aqui reunidos, provenientes de toda a Ásia. Que eles possam ser jubilosos arautos da alvorada de um mundo de paz, segundo os desígnios de Deus!”.

Encontro com a juventude

No final da tarde (início da manhã no Brasil), o Papa Francisco foi ao Santuário dos Mártires Coreanos, em Salmoe, cidade natal de Santo André KimTaegon, primeiro sacerdote coreano, martirizado em 1846.
Após alguns momentos de oração diante do Santuário, o Bispo de Roma se encontrou com os milhares de jovens, provenientes de 23 países da Ásia, para a VI Jornada da Juventude Asiática, que tem como tema central “Juventude asiática, desperte. A glória dos mártires resplandece sobre você”.

 

Depois de uma apresentação artística indonésia, por representantes das cinco principais culturas do arquipélago, três jovens de Camboja, Hong Kong e Coreia, apresentaram seus testemunhos pessoais e dirigiram ao Papa algumas perguntas, em nome dos milhares de jovens presentes. Em sefguida, o Santo Padre tomou a palavra e, falando em inglês, partiu da expressão de São Pedro, diante da Transfiguração do Senhor no Monte Tabor.

“Queridos jovens amigos! É bom estarmos aqui!”… É realmente bom para nós estarmos aqui, juntos, neste Santuário dos Mártires Coreanos, aos quais a glória do Senhor se revelou na aurora da vida da Igreja neste país. Nesta grande assembleia, que reúne jovens cristãos da Ásia inteira, podemos, de certo modo, sentir a glória de Jesus presente no meio de nós, presente na sua Igreja, que abraça toda a nação, língua e povo, presente com a força do seu Espírito, que torna todas as coisas novas, jovens e vivas”.

Pela unidade das Coreias

Francisco também pediu aos milhares de jovens para rezar em silêncio pela unidade das duas Coréias unificação da Península coreana. E, a seguir, deu-lhes três sugestões sobre o modo de serem testemunhas autênticas e jubilosas do Evangelho: primeira, confiar na força que Cristo lhes dá, sem nunca perder a esperança na verdade da sua palavra e na força da sua graça.

Segunda sugestão: “permaneçam com o Senhor por meio da oração diária; adorem a Deus; extraiam a alegria e força da Eucaristia e da Penitência; participem da vida das suas paróquias; jamais se esqueçam do Evangelho do amor, da caridade, tomando parte das iniciativas de caridade”.

Terceira e última sugestão: “entre as tantas luzes contrárias ao Evangelho, seus pensamentos, palavras e ações sejam sempre guiados pela sabedoria da palavra de Cristo e pela força da sua verdade. Ele lhes ensinará a avaliar bem todas as coisas e a conhecer o projeto que ele tem para vocês. Assim, Ele lhes mostrará o caminho para a verdadeira felicidade e a plena realização”.

 

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